Zema renuncia ao governo deixando o maior rombo do Brasil

Com "sensação de missão cumprida", governador entrega Minas com dívida de R$ 201 bilhões, déficit de caixa recorde e contas no vermelho pela primeira vez em anos

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Com "sensação de missão cumprida", governador entrega Minas com dívida de R$ 201 bilhões
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 O governador Romeu Zema (Novo) formalizou sua renúncia ao cargo e deixou uma carta, lida na Assembleia Legislativa na terça-feira (18/3). No documento, ele afirma deixar o Estado com "sensação de missão cumprida" e destaca a recuperação das contas públicas como uma das principais marcas de sua gestão. Os números oficiais, porém, contam uma história bem diferente.


Endividamento recorde em Minas

 Na carta de renúncia, Zema destacou a recuperação das contas públicas e a retomada da regularidade salarial do funcionalismo. Dados oficiais indicam que Minas Gerais encerra o mandato de Romeu Zema com contas no vermelho, alto endividamento e pressão fiscal próxima ao teto permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal. 


Dívida de MG ultrapassa R$ 201 bilhões

 O estado de Minas Gerais encerrou 2025 com uma dívida pública superior a R$ 201 bilhões — valor 75,3% superior ao registrado em janeiro de 2019, quando Zema assumiu o primeiro mandato. Naquele ano, o débito era de R$ 114,7 bilhões.


Do total da dívida, 88,2% — equivalente a R$ 177,4 bilhões — é formado pelo montante devido à União. Outros R$ 16,39 bilhões dizem respeito a contratos com outras instituições financeiras, enquanto cerca de R$ 7,21 bilhões são descritos como "outras dívidas".


Os valores atuais da dívida consolidada são maiores do que toda a arrecadação prevista na Lei Orçamentária de 2026, que estima receita de R$ 127,1 bilhões e despesa de R$ 132,3 bilhões para o estado. Na prática, Minas deve mais do que consegue arrecadar em um ano e meio inteiro.


Sobre as causas do crescimento, o governo Zema atribui o avanço da dívida a quatro fatores: encargos elevados dos contratos indexados à Selic; impacto cambial sobre operações em moeda estrangeira; acúmulo de prestações suspensas por decisões judiciais entre 2018 e 2022; e suspensão de pagamentos no âmbito do Regime de Recuperação Fiscal. As parcelas da dívida voltaram a ser pagas regularmente apenas em outubro de 2024. Durante todo o período de suspensão, os juros continuaram sendo aplicados e o estoque da dívida quase dobrou.


Esse nível de endividamento reduz drasticamente a margem de manobra do estado. A dívida de Minas com a União, que representa a maior parte dos débitos do estado, chegou a R$ 177,5 bilhões — duas vezes o valor registrado em janeiro de 2019, quando era de R$ 88,7 bilhões. Os recursos que poderiam ser destinados a educação, saúde e infraestrutura acabam sendo drenados pelo serviço da dívida, mantendo Minas presa a acordos de renegociação de longo prazo. A amortização dos débitos será feita em 360 parcelas — equivalente a 30 anos de pagamentos.

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Minas tem o maior rombo do Brasil Déficit é até quatro vezes maior que o do segundo colocado

O governador Romeu Zema conclui o mandato com um déficit de R$ 11,3 bilhões em recursos não vinculados — valores sem destinação legal obrigatória —, conforme o Relatório de Gestão Fiscal (RGF) de 2025, encaminhado ao Tesouro Nacional. De acordo com o relatório, Minas soma R$ 3,7 bilhões em restos a pagar empenhados, mas que não foram liquidados em 2025. O valor deixa Minas no limite prudencial e próximo ao máximo permitido de 49% em relação à Receita Corrente Líquida — o percentual apurado foi de 48,22%. Essas despesas foram empurradas para o exercício seguinte, aumentando a pressão sobre o orçamento do governo que assumiu.


O rombo de Minas Gerais é o maior entre os estados brasileiros que encerraram 2025 com as contas no vermelho. Também estão nessa condição Rio Grande do Norte, Alagoas, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Tocantins e Acre — todos com saldo devedor inferior ao apresentado pela gestão Zema. 

A diferença se torna ainda mais evidente ao comparar com estados que fecharam no azul. Enquanto Minas acumula R$ 11,3 bilhões negativos, outras unidades da federação encerraram 2025 com ampla folga financeira: o Paraná liderou o ranking com R$ 10,5 bilhões positivos, seguido por São Paulo, com R$ 5,9 bilhões, e Paraíba, com R$ 4 bilhões. 


Isenções fiscais e o buraco que ninguém vê

Outro fator que agravou a situação financeira do estado foi a política de concessão de benefícios tributários. Entre 2020 e o primeiro semestre de 2025, Minas deixou de arrecadar R$ 86,6 bilhões em função de isenções fiscais efetivamente aplicadas. O volume de renúncias saltou de R$ 6,1 bilhões no primeiro ano de mandato de Zema para uma previsão de R$ 22,4 bilhões em 2025 — crescimento superior a 250%. A listagem das empresas beneficiadas é mantida em sigilo pelo Executivo estadual. 


O caminho à frente para Mateus Simões

Com o aval do governo federal para a adesão ao Propag, a expectativa é que o estado consiga frear o avanço do passivo. O plano muda a forma de cálculo do débito com a União, com expectativa de redução dos juros incidentes sobre as parcelas, diminuindo o impacto dos pagamentos no orçamento estadual. 


É nesse cenário que Mateus Simões assume o Palácio Tiradentes neste domingo. O novo gestor herda uma dívida acima de R$ 201 bilhões, o maior rombo de caixa entre todos os estados do país e a missão de concluir a adesão plena ao Propag — enquanto Zema parte para a corrida presidencial com o discurso de que "Minas voltou a ficar de pé".