Haddad deixa a Fazenda com taxa de crescimento histórica
Fernando Haddad deixa o Ministério da Fazenda com desemprego em mínima histórica, mas dívida bruta do governo em alta de 71,7% para 79% do PIB.
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, deixou o cargo na última quinta-feira (19) antecipando o prazo legal de desincompatibilização estabelecido pela Justiça Eleitoral para abril de 2026. O anúncio da candidatura ao governo de São Paulo foi feito ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante evento no Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo. Haddad será sucedido por Dario Durigan, que atuava como secretário-executivo da pasta desde junho de 2023.
À frente da equipe econômica por três anos e dois meses, Haddad conduziu mudanças relevantes na política econômica e fiscal do país, articulando reformas estruturais em meio a limites políticos que influenciaram o alcance das medidas.
Mercado de trabalho em recordes históricos
A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025, o menor nível da série histórica iniciada em 2012, com cerca de 5,5 milhões de pessoas em busca de trabalho e um mercado que chegou ao recorde de 103 milhões de pessoas ocupadas, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE.
A taxa média anual de desocupação passou de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, também o menor nível registrado desde o início da série histórica, com o número médio de brasileiros sem trabalho caindo de 7,2 milhões para 6,2 milhões de pessoas. O valor do rendimento médio real habitual dos trabalhadores ocupados aumentou 5,7% na comparação com 2024, e a massa de rendimento real habitual chegou a R$ 361,7 bilhões, com alta de 7,5% — o maior valor da série.

A taxa de subutilização da força de trabalho também atingiu seu menor nível histórico em 2025, recuando para 14,5%, ante 16,2% em 2024, representando cerca de 16,6 milhões de pessoas em situação de subutilização. Nos anos mais críticos da pandemia, esse indicador havia chegado a mais de 32 milhões de pessoas. A taxa anual de informalidade passou de 39%, em 2024, para 38,1% em 2025.
Crescimento do PIB e reformas estruturais
O IBGE registrou crescimento de 3,2% em 2023 e de 3,4% em 2024, este último o maior desde 2021. O PIB do Brasil em 2025 totalizou R$ 12,7 trilhões.
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ENTRAR NO GRUPO DO WHATSAPPO principal legado de Haddad está na agenda de reformas. A aprovação da reforma tributária sobre o consumo, considerada a mais ampla em décadas, é apontada como sua maior vitória institucional. O novo modelo cria um IVA dual, com tributos federais, estaduais e municipais unificados, com uma transição que se estende até 2033.
Nos primeiros meses à frente do ministério, Haddad aprovou junto ao Congresso o novo arcabouço fiscal, que substituiu o teto de gastos. Sob a nova regra, a equipe econômica fechou os anos de 2024 e 2025 dentro da meta fiscal, com déficit zero.
No campo social, o programa "Desenrola Brasil", de renegociação de dívidas, beneficiou 15 milhões de pessoas e renegociou R$ 53,2 bilhões em dívidas entre julho de 2023 e março de 2024. Haddad também articulou a aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, com um imposto progressivo de até 10% sobre rendimentos acima de R$ 1,2 milhão por ano, incluindo dividendos, como forma de compensação.
Dívida pública e desafios fiscais
A dívida pública do país cresceu de 71,4% do PIB em janeiro de 2023 para 78,7% em janeiro de 2026, e segundo projeções do Tesouro Nacional, a trajetória deve seguir em alta nos próximos anos. Em valor bruto, a dívida pública federal encerrou 2025 em R$ 8,6 trilhões.
Haddad deixa o cargo sem ter alcançado a restauração fiscal demandada pelo mercado. Apesar das metas ambiciosas, a dívida pública segue em trajetória ascendente e as regras orçamentárias desenvolvidas há três anos começam a dar sinais de deterioração. O próprio ministro atribuiu o movimento ao patamar elevado das taxas de juros no país.
O país registrou as taxas de juros mais elevadas em quase duas décadas no período, e o objetivo de zerar o déficit público não foi alcançado apesar do aumento da arrecadação federal.
Transição e cenário eleitoral
Dario Durigan é visto como o sucessor natural de Haddad, com quem mantém uma relação de cumplicidade desde a prefeitura de São Paulo. Durigan assume a pasta em um momento de alta complexidade macroeconômica, com o conflito no Oriente Médio pressionando os preços globais do petróleo e gerando incertezas sobre a trajetória da inflação e a velocidade dos cortes de juros pelo Banco Central.
A saída de Haddad posiciona-o para um embate com o governador Tarcísio de Freitas, que deverá buscar um segundo mandato. Freitas entra na corrida como favorito após ter vencido com facilidade há quatro anos.
Os dados do mercado de trabalho são da Pnad Contínua/IBGE; os dados de PIB são do IBGE; os dados de dívida pública são do Banco Central e do Tesouro Nacional.
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