Nesta quarta-feira (4), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu a decisão da CPMI do INSS que havia determinado a quebra de sigilo bancário e fiscal da empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha), filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A suspensão foi concedida por meio de uma liminar em um mandado de segurança impetrado pela própria Luchsinger junto ao STF.
A medida não cita diretamente Lulinha, mas derruba os efeitos de toda a deliberação da CPMI do INSS que aprovou, em uma só votação (“em bloco”), 87 requerimentos de investigação, entre eles pedidos de quebras de sigilo, convocações e outros atos investigativos. Nesse contexto, a decisão pode atingir também o pedido de quebra de sigilo que havia sido aprovado contra Lulinha na mesma sessão da comissão.
O que motivou a suspensão
O ministro Dino entendeu que a votação conjunta de dezenas de requerimentos, sem análise individualizada de cada um, não atende às exigências legais e constitucionais, sobretudo quando se trata de medidas que afetam direitos fundamentais, como o sigilo bancário e fiscal. Segundo ele, embora CPIs e CPMIs tenham poderes investigatórios, esses poderes não são absolutos e devem observar os limites constitucionais de motivação e fundamentação.
A liminar concedida por Dino será submetida ao referendo do plenário do STF em julgamento futuro, o que significa que sua confirmação ainda depende de análise pelos demais ministros.
Integrantes da CPMI do INSS reagiram à decisão. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), criticou a ação do ministro, classificando-a como uma interferência indevida do Judiciário no Legislativo e ressaltando que a comissão atuou dentro do regimento e da legalidade.
Possível impacto sobre Lulinha
Embora a liminar tenha sido concedida especificamente a favor de Roberta Luchsinger, especialistas e advogados apontam que a argumentação de Dino — contra a votação “em globo” — pode abrir caminho para que a decisão seja estendida a outros investigados, incluindo Lulinha, por meio de pedidos semelhantes ao STF. Isso porque a suspensão decorre justamente de uma nulidade apontada no procedimento adotado pela CPMI, e não de aspectos factuais isolados de cada alvo investigado.
Até o momento, não há confirmação oficial de que o sigilo bancário e fiscal de Lulinha esteja automaticamente restaurado, mas a decisão de Dino cria um precedente jurídico que pode ser usado pela defesa para contestar a medida caso seja mantida pelo plenário da Corte.