Argentina entra pela primeira vez na lista dos dez piores países do mundo em direitos trabalhistas
Pelo segundo ano consecutivo, a Argentina caiu no ranking global dos direitos trabalhistas e passou a integrar a lista dos 10 piores países do mundo para os trabalhadores, segundo a CSI.
O relatório aponta retrocessos em direitos sindicais e mudanças na legislação trabalhista, enquanto o governo Milei afirma que as reformas são necessárias para gerar mais empregos formais.
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A Confederação Sindical Internacional (CSI) divulgou nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, o Índice Global dos Direitos 2026, e a Argentina aparece entre os dez países considerados mais problemáticos do mundo para os trabalhadores, ao lado de Belarus, Egito, Essuatíni, Mianmar, Nigéria, Tunísia e Turquia, além de Panamá e Equador, que também representam a América Latina na lista.
A Argentina caiu para a categoria 5, o pior nível do índice, registrando o segundo ano consecutivo de deterioração sob o governo de Javier Milei. O estudo descreve a queda como "brusca e sem precedentes", da categoria 3 para a 5 em apenas dois anos. A categoria 5 é reservada aos países em que os direitos dos trabalhadores "não são garantidos".
O que motivou a piora na avaliação
O relatório aponta aumento da repressão a sindicatos e a adoção de um protocolo antibloqueio que autoriza o uso indiscriminado da força policial como fatores centrais da piora argentina. No campo legislativo, o Congresso argentino aprovou a chamada "lei de modernização trabalhista", que reduz indenizações, permite pagamentos em bens ou serviços, limita o direito de greve e estende a jornada de trabalho para até 12 horas sem pagamento de horas extras, com compensação em horas livres.
O argumento do governo
O governo argentino defende a reforma como modernização da legislação vigente desde a década de 1970, argumentando que a flexibilização pode estimular contratações formais em um país onde aproximadamente 40% da população trabalha na informalidade. Dados da Justiça do Trabalho da Argentina mostram que em 2025 foram ajuizados, em média, 350 novos processos trabalhistas por dia, na maioria com decisão favorável aos trabalhadores e indenizações de alto valor — cenário que o governo usa para justificar as mudanças.
A América Latina continua sendo a região mais letal para os trabalhadores e seus representantes, com execuções extrajudiciais registradas na Colômbia e no México. Em cerca de 9 em cada 10 países da região foi violado o direito de greve, e em aproximadamente metade dos 25 países avaliados, trabalhadores foram detidos ou encarcerados.
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O relatório da CSI, elaborado desde 2014, classifica 151 países com base em 97 indicadores fundamentados em convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O secretário-geral da CSI, Luc Triangle, afirmou que "o Índice 2026 revela que a crise dos direitos dos trabalhadores já não se limita a alguns poucos países: ela agora está no centro das democracias".