Três indicados por Flávio Bolsonaro foram presos por ligações com o Comando Vermelho
Rodrigo Bacellar, Alessandro Carracena e Gutemberg Fonseca, ligados politicamente ao senador, estão presos em investigações do STF e da Polícia Federal sobre vínculos com facções criminosas
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O candidato ao governo do Rio
O caso de maior impacto institucional é o de Rodrigo Bacellar (União Brasil), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Em maio de 2025, Bacellar foi anunciado por Flávio Bolsonaro como o candidato oficial do grupo para disputar o governo do estado em 2026, em um acordo político que daria ao PL duas vagas na disputa ao Senado.
Quem é TH Joias, o "Joalheiro"
Diferente de um traficante convencional de favela, TH Joias é apontado pela Polícia Federal como um sofisticado operador financeiro e elo político do Comando Vermelho no "asfalto". Conhecido historicamente como o "joalheiro dos famosos", ele confeccionava cordões de ouro maciço para jogadores de futebol, artistas e lideranças do tráfico. Segundo as investigações atuais, TH Joias utilizava sua rede de contatos na alta sociedade e na política fluminense para obter informações privilegiadas sobre futuras incursões policiais, protegendo a cúpula do CV e coordenando a destruição de provas antes que as viaturas chegassem às comunidades.
Encontro em resort de Búzios
A proximidade entre o senador e o ex-presidente da Alerj ficou registrada em uma confraternização política realizada em um resort de luxo em Búzios (RJ). O evento reuniu empresários, prefeitos e fortes apoiadores do bolsonarismo no estado, consolidando o nome de Bacellar na cabeça de chapa para 2026. A imagem desse encontro tornou-se o principal estopim da crise política.

Flávio Bolsonaro (PL) e Rodrigo Bacellar (União) em alinhamento político em Búzios. (Foto: Divulgação)
Flávio indicou outros dois secretários ligados com CV
A influência das indicações de Flávio Bolsonaro também atingiu diretamente o primeiro escalão do governo de Cláudio Castro (PL). Antes da queda de Bacellar, outros dois secretários de Estado de altíssimo perfil — apadrinhados pelo senador — foram presos na Operação Anomalia, deflagrada pelo STF para desarticular um verdadeiro "balcão de negócios" criminoso dentro do palácio do governo.
Alessandro Pitombeira Carracena (Ex-Secretário Estadual de Esportes):
Advogado e articulador político muito próximo à família Bolsonaro, Carracena foi alçado à Secretaria de Esportes por indicação direta de Flávio. A PF descobriu que ele utilizava a estrutura e o prestígio do cargo para negociar vantagens e vender influência jurídica e política que atendiam diretamente aos interesses econômicos de lideranças do Comando Vermelho.

Alessandro Carracena (Ex-secretario de estado) Indicado diretamente por Flávio Bolsonaro. (Foto: Divulgação)
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Gutemberg Fonseca (Ex-Secretário de Defesa do Consumidor):
Figura amplamente conhecida no Rio de Janeiro, Gutemberg é ex-árbitro de futebol da FIFA e operava como um dos principais cabos eleitorais e secretários de confiança do grupo de Flávio Bolsonaro. Ele foi preso sob a acusação de integrar o mesmo esquema, atuando ativamente para blindar empresas de fachada ligadas à facção e vazar dados internos que ajudavam alvos do CV a escaparem de cercos da Polícia Federal

Flávio Bolsonaro (PL) e Gutemberg Fonseca em encontro (Foto: Divulgação)
Flávio Bolsonaro teve encontro com Gutemberg Fonseca, encontro político formal, tipicamente realizado em gabinetes governamentais ou parlamentares, reforçando a atuação conjunta e a articulação política deles no estado do Rio de Janeiro.
O caso mais antigo: Adriano da Nóbrega
Analistas políticos e investigadores apontam que as conexões do entorno de Flávio Bolsonaro com o crime organizado mostram uma mudança de dinâmica alarmante no Rio de Janeiro. No passado, o vínculo mais evidente era com as milícias. Quando era deputado estadual na Alerj, Flávio empregou em seu gabinete a mãe e a ex-esposa de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do BOPE e chefe do "Escritório do Crime" (grupo de extermínio da milícia de Rio das Pedras). O caso veio à tona nas investigações sobre a morte de Marielle Franco e no esquema das "rachadinhas".
O cenário de 2026, contudo, revela que os novos aliados políticos do senador avançaram para o espectro oposto da criminalidade: o Comando Vermelho, facção de tráfico de drogas que historicamente era rival declarada das milícias, evidenciando como as fronteiras do crime organizado e da política institucional no Rio se tornaram perigosamente fluidas.
Reação e Recuo Político
Diante da gravidade e do desgaste político provocado pelas prisões em março de 2026, Flávio Bolsonaro iniciou um rápido movimento de recuo. O senador declarou publicamente que "houve precipitação na escolha de Bacellar" e cortou laços com o ex-aliado.
