União Europeia aprova acordo Mercosul–UE após 25 anos de negociações

A decisão encerra mais de duas décadas de negociações e reposiciona o Brasil no comércio global ao ampliar o acesso a mercados europeus, fortalecer o agronegócio e criar condições para modernização industrial.

09/01/2026 às 16:32
União Europeia aprova acordo Mercosul–UE após 25 anos de negociações
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou o avanço como “dia histórico para o multilateralismo”, destacando os ganhos mútuos para os dois blocos.
Os países da União Europeia confirmaram hoje (9) a aprovação provisória do acordo comercial com o Mercosul, abrindo caminho para sua assinatura na próxima semana. Esse será o maior tratado de livre-comércio da história da UE, criando uma zona que alcança cerca de 700 milhões de pessoas. Na votação em Bruxelas, 21 dos 27 Estados-membros deram sinal verde, enquanto França, Hungria, Polônia e Irlanda votaram contra e a Bélgica se absteve. 


O acordo está fechado mas ainda precisa do aval final do Parlamento Europeu para entrar em vigor, e a expectativa é de que seja assinado em 17 de janeiro no Paraguai. Aprovado pela maioria qualificada da UE, o acordo Mercosul–UE cria a maior área de livre-comércio do mundo (cerca de 700 milhões de pessoas). Para Bruxelas, o acordo tem motivações geopolíticas: em meio à guerra comercial desencadeada por Donald Trump, ele serviria para compensar perdas com tarifas americanas e reduzir a dependência da China por matérias-primas críticas (como o lítio).

 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saudou o avanço como “dia histórico para o multilateralismo”, destacando os ganhos mútuos para os dois blocos. Mas o tratado também provocou forte reação de setores europeus: agricultores realizaram protestos em vários países temendo concorrência de produtos sul-americanos mais baratos, e a França, maior produtora agrícola da UE, acabou votando contra.


O Mercosul zerará gradualmente os impostos sobre aproximadamente 91% das exportações da UE, enquanto a UE eliminará tarifas sobre cerca de 92% das exportações mercosulinas.


 O novo acordo é visto como uma oportunidade para expandir o agronegócio e renovar a indústria nacional. Atualmente a UE já é o principal comprador de produtos agropecuários brasileiros – cerca de 48,5% das exportações agrícolas brasileiras em 2025 foram para a Europa. Um exemplo foi o salto de 83% nas exportações de carne bovina para a UE em 2025. Com a eliminação de tarifas sobre carnes, açúcar, etanol, café, celulose e outros produtos brasileiros, espera-se que esses setores ganhem volume e valor agregado no mercado europeu. Além disso, o acordo facilita o acesso da indústria nacional a insumos e equipamentos modernos.

Especialistas destacam que o Brasil está em fase de renovação de seu parque industrial e precisará importar máquinas e tecnologias europeias para modernizar a produção. Segundo estudo do Ipea, o pacto pode elevar o PIB brasileiro em 0,46% até 2040 (cerca de US$ 9,3 bilhões em ganhos acumulados), superando os ganhos projetados para a UE. O economista da Eurochambers Brasil ressalta que o efeito do tratado será ganha-ganha: “o pacto representa ganhos mútuos entre os blocos econômicos”, estendendo benefícios além do agronegócio para setores como o farmacêutico, tecnológico e de maquinário.


Expansão do Agronegócio: produtos-chave brasileiros (carnes, açúcar, café, suco de laranja etc.) terão tarifas zeradas ou reduzidas, abrindo espaço para maior competitividade no mercado europeu.

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Indústria modernizada: importação facilitada de maquinário e tecnologia da UE, ajudando a modernizar setores industriais brasileiros.

Diversificação comercial: o acordo oferece ao Brasil alternativa de exportação e parceria estratégica, reduzindo dependência de mercados como a China.

Economia em crescimento: mesmo considerando importações maiores, prevê-se impacto positivo na economia nacional – além do PIB, aumentos de investimento serão estimulados pela maior previsibilidade e acesso a novos mercados.